A arte é a protagonista de si própria, não eu.

“Works of art make rules; rules do not make works of art.
– Claude Debussy

Vivemos num mundo aonde é quase impossível ser artista. Quando todo mundo ao seu redor tem as mesmas ferramentas que você e pode – e vai – fazer arte, o que vai legitimar o seu trabalho e não o do seu vizinho? Quando a arte é a forma mais elevada de individualismo e parte do princípio de que não há regras, o que faz com que algumas artes sejam ignoradas hoje, elevadas daqui 50 anos, e outras elevadas hoje, e envergonhadas no futuro? Eu diria que o verdadeiro teste do artista é: o tempo. Só ele pode com clareza separar o original da cópia, demonstrar quem de fato fez arte – leia-se: inovou, criou uma nova escola, abriu a mente das pessoas, contribuiu para o mundo, falou aos corações – de quem apenas criativamente imitou tudo aquilo que já foi feito.

“Nada se cria; tudo se copia” não é verdade. Há cópias, enlatados facilmente digeríveis e altamente rentáveis, sim. Mas todo artista verdadeiro está buscando ser a exceção.

O maior desafio de um mundo aonde todos produzem a mesma arte que você – e muito rapidamente – é ser altamente seletivo e exigente com seu trabalho. Nadar contra a corrente. Na fotografia, vão dizer que você é lento; reclamar que você entregou 15 fotos e não 200; não vão enxergar que aquela 1 foto que você botou no seu portfólio tem mais significado que as 50 que saíram nas revistas e jornais; você vai ficar com fama de quem deveria ter sido escritor e não fotógrafo. Agora, confie em mim: se você se dedicar a NUNCA publicar trabalhos medíocres, um dia estará à parte dos demais.

“Your first 10,000 photographs are your worst.”
― Henri Cartier-Bresson

É acreditando nisso que decidi limitar a publicação dos meus trabalhos. Pois se o tempo decidir me agraciar com o status de “artista” (título esse que não pode ser autointitulado), quero que apenas aquilo que de fato foi relevante seja visto e reproduzido através de gerações. Obviamente, o que já foi publicado vai ficar aonde está :P

Colorização digital de fotos

Sou apaixonada por fotos em preto e branco. Como a maioria dos seres humanos adoro cores e, ao ver uma imagem, minha atenção é automaticamente desviada para a cor. Por isso mesmo gosto de descansar o olhar no preto e branco: ver além da cor é algo que nós, que nascemos e vivemos num mundo colorido, temos que aprender com a prática.

Mas o fato é que as pessoas não estão interessadas. Num mundo de imagens fáceis e rápidas, poucos se importam com a maneira com que olham. E disso, surge uma certa aversão a fotos históricas, e aqueles que poderiam ser tão enriquecidos por essas imagens as deixam de lado porque são aparentemente “sem graça”.

Japanese Archers BW2Colorized
Ainda bem que a colorização de fotos vem se popularizando, possibilitando que tanto artistas quanto amadores obtenham resultados cada vez mais realistas e precisos. Não que eu prefira as fotos digitalmente alteradas, mas vejo nelas uma oportunidade para aqueles que se sentiam entendiados por fotos preto e branco olharem com outros olhos para momentos de nossa história que nunca deveriam ter ignorado.

Nessa onda, recentemente, o site demilked postou duas séries de fotos históricas colorizadas, as quais me sinto na obrigação de repostar:

Link 1
Link 2

Ah, fantásticos resultados não acham?… Um dia eu aprendo a colorizar!