Cachinhos

Ziggy Cachinhos

Minha preferida do segundo ensaio com Renato Ziggy.

 

 

The metallic reflections

Light here was dimmed to a minimum and I had to crank the ISO up, but the reflections on metal were just too perfect to be missed.

the metallic reflections - by Helen Luna

A arte é a protagonista de si própria, não eu.

“Works of art make rules; rules do not make works of art.
– Claude Debussy

Vivemos num mundo aonde é quase impossível ser artista. Quando todo mundo ao seu redor tem as mesmas ferramentas que você e pode – e vai – fazer arte, o que vai legitimar o seu trabalho e não o do seu vizinho? Quando a arte é a forma mais elevada de individualismo e parte do princípio de que não há regras, o que faz com que algumas artes sejam ignoradas hoje, elevadas daqui 50 anos, e outras elevadas hoje, e envergonhadas no futuro? Eu diria que o verdadeiro teste do artista é: o tempo. Só ele pode com clareza separar o original da cópia, demonstrar quem de fato fez arte – leia-se: inovou, criou uma nova escola, abriu a mente das pessoas, contribuiu para o mundo, falou aos corações – de quem apenas criativamente imitou tudo aquilo que já foi feito.

“Nada se cria; tudo se copia” não é verdade. Há cópias, enlatados facilmente digeríveis e altamente rentáveis, sim. Mas todo artista verdadeiro está buscando ser a exceção.

O maior desafio de um mundo aonde todos produzem a mesma arte que você – e muito rapidamente – é ser altamente seletivo e exigente com seu trabalho. Nadar contra a corrente. Na fotografia, vão dizer que você é lento; reclamar que você entregou 15 fotos e não 200; não vão enxergar que aquela 1 foto que você botou no seu portfólio tem mais significado que as 50 que saíram nas revistas e jornais; você vai ficar com fama de quem deveria ter sido escritor e não fotógrafo. Agora, confie em mim: se você se dedicar a NUNCA publicar trabalhos medíocres, um dia estará à parte dos demais.

“Your first 10,000 photographs are your worst.”
― Henri Cartier-Bresson

É acreditando nisso que decidi limitar a publicação dos meus trabalhos. Pois se o tempo decidir me agraciar com o status de “artista” (título esse que não pode ser autointitulado), quero que apenas aquilo que de fato foi relevante seja visto e reproduzido através de gerações. Obviamente, o que já foi publicado vai ficar aonde está :P

O fim dos hiatos

-Não se leve tão a sério, as pessoas odeiam isso.
-Se leve a sério ou vão te achar só mais um hobbyista.
-Tenha um site, nem que seja um gratuito.
-Você vai queimar seu nome ao ter um desses sites gratuitos. O mercado é ingrato, você vai concorrer com o playboyzinho que foi aos EUA e voltou com uma câmera na mala e agora acha que é profissional, botou anuncio no Groupon e deu um bom pontapé na carreira fotografando books por R$100, enquanto você estará se arrastando pra começar de forma “honesta”. Quer um conselho? Faça uns casamentos, dinheiro rápido. Imite aquele fotógrafo que faz autopromoção descarada dia e noite no Facebook postando TODAS as fotos que faz. Seus anos atrás de uma câmera não contam nada.
-Não, não vá na deles. Isole-se de tudo isso. Exclua seu Facebook. Nada de ter Google+, twitter, Instagram? Tsc ,tsc, você está se contaminando e qualquer pessoa que esteja procurando um artista não vai te levar a sério se você congrega com amadores. Sempre há lugar para a arte.
-Nunca se declare um artista.
-Não pode ter lista de preços no seu site, isso vai te fazer parecer “barato” demais.
-Coloque os preços no seu site, as pessoas não vão se dar ao trabalho de perguntar!! Seus anos atrás de uma câmera não contam nada…

E é assim todo dia, há quinze anos, a mesma ladainha de pessoas entendidas (porque todo mundo acha que entende de fotografia) – com perdão da expressão – cagando regras sobre como devo conduzir minha carreira. E elas são sempre contraditórias. Opinião sobre carreira em fotografia deveria ser igual a gosto: deveria não se discutir, ponto. Cheguei a essa conclusão depois de tanto tempo andando feito barata alucinada de RAID atrás do conselho alheio sobre meu próximo passo. Eu tinha só 17 anos então; tenho 32 agora e cansei de levar vassouradas.

Em 1999, quando comecei, as câmeras digitais estavam começando a ficar populares e ninguém queria saber de um fotógrafo “de filme”, porque nosso preço ficou exorbitantemente alto em comparação. Sem dinheiro pra comprar um equipamento digital decente (sei que muito “profissa” da época  fotografava com Sony Cybershot na cara dura, mas eu nunca fui cara-de-pau) e sem ter como bancar filme e revelação por amor à arte, eu fiz um longo hiato. O primeiro de muitos. E desde então sempre que fiquei sem saber qual rumo tomar na minha carreira, foi o que fiz: um hiato.

Há anos porém sonho em voltar ao filme. Ao contrário da galera hipster, que faz isso pra parecer vintage, pra ter o feel de uma época que nunca viveu mas admira, que tatua a Rolleiflex no pulso e compra filme no ebay, eu queria voltar às minhas origens e recuperar o tempo perdido de evolução em termos de sensibilidade do olhar. Não abandonando o digital, que tem sua hora e lugar (afinal não investi os últimos 7 anos em equipamento e estudo à toa) mas sim pra marcar um breakthrough, o momento em que me rebelo contra as opiniões que me baratinaram ao longo desses 15 anos, e decido ser fotógrafa à minha maneira – decidi buscar esse sonho. Tenho certeza que eu não fui a única aspirante a fotógrafa que ficou confusa num meio onde todos querem rasgar sua identidade e te dar a deles. Acho que confundem liberdade de interpretação da arte com liberdade de projeção psicológica?

Olha, e se eu quiser misturar comercial com artístico? E se eu quiser botar preços pra sessões de retrato no site e no mesmo quiser listar exposições de minhas fotografias naquela galeria chique? E se eu quiser oferecer filme, digital, polaroid e ainda continuar no Instagram? Eu não estou nem aí pro purismo ou pro não-purismo, pras regras inventadas da cabeça de cada um e vendidas como leis da arte – o que quero é deixar a minha visão de mundo por aí, marcada em gravura de luz, como parecer válido para mim. Vai sempre ter quem diga que estou imitando sei lá quem ou que estou fazendo aquilo outro errado. Nunca me defendi, nem vou me defender do que pensam de mim. Minhas fotos porém devem falar, chame-as de arte ou não, goste delas ou não.

Então não haverá mais hiatos. Porque não haverá mais regras, e quem poderá dizer quando eu deveria estar ou não fotografando senão eu e minha vontade e criatividade? Não deveria ter sido sempre assim?

preview do projeto arte das ruas fora do centro

Tenho uma bela EOS 3 que ganhei de presente de aniversário da pessoa mais especial do mundo com 3 rolos de filme pra recomçar <3 Minha fiel cinquentinha básica quebrou num episódio triste, e providencialmente fui agraciada com o financiamento de uma 50mm superior pela mesma pessoa especial <3 Minha Polaroid está em revisão de taxas na receita federal. Meu projeto nas ruas de BH está engatinhando… Tudo nos eixos. O que falta, sinceramente? TEMPO! Só que aí são outros quinhentos, e assunto pra outro post ;)

Finding Vivian Maier

Vivian Maier (01/02/1926 ~ 21/04/2009) foi uma fotógrafa de rua amadora, nascida em Nova Iorque e criada na França. Após retornar aos Estados Unidos, ela trabalhou como babá por cerca de 40 anos em Chicago, Illinois. Durante esses anos, ela tirou cerca de 100.000 fotografias, principalmente de pessoas e paisagens urbanas em Chicago, apesar que ela viajou e fotografou também mundo afora.

Suas fotografias permaneceram desconhecidas e na sua maior parte não reveladas até que foram descobertas por um historiador e colecionador local, Jonh Maloof, em 2007. Após a morte de Vivian, seu trabalho passou a ser aclamado pela crítica. Suas fotografias foram exibidas nos EUA, Inglatera, Alemanha, Dinamarca e Noruega e apareceram em noticiários e revistas de todo o mundo. Um livro com sua fotografia entitulado Vivian Maier: Street Photographer foi lançado em 2011. Um filme sobre a vida e a obra da artista está em produção. Confira o trailer abaixo:

 

Vivian é uma das minhas fotógrafas preferidas. Sua arte demonstra sensibilidade, um olhar único e profundo sobre o mundo e as pessoas. Para mim, uma celebração da vida ‘lá fora’. O que contrasta diretamente com a existência recatada e misteriosa que ela levava. Será que ela fotografava para vivenciar o mundo da qual ela parecia se isolar? Posso me identificar em muitos níveis… De toda maneira, o resultado de sua obra é inegavelmente comovente. Acredito que ela é a fotógrafa que todos nós gostaríamos de ser; seus negativos, aqueles que gostaríamos que alguém encontrasse em nossas caixas e revelasse ao mundo; a emoção contida em seus retratos, aquela que sonhamos em capturar.

Fontes:   Wikipedia – Site oficial

“Rant” oriunda do meu Facebook

“Eu tenho um misto de vergonha alheia e ódio de ‘fotógrafos’ que encontro pela internet cujos álbuns de trabalhos são prova indiscutível de mau gosto, talento nulo e ausência de auto-crítica. Me questiono como eles ainda conseguem trabalho com clientes importantes? Será que dão o cu? Será que impressionam com lentes grandes? Será que é todo mundo de um mau gosto terrível pra fotos? Será que não cobram? Ou todas acima?

Muitos anos atrás, eu deixei de lado a fotografia porque achei que não poderia competir com quem tem networking E equipamento, enquanto eu só tenho um suposto ‘talento’. Hoje em dia eu quero que eles se fodam. Os clientes deles os merecem. Fotografo pela arte e acho justo ter nisso meu ganha-pão. Quem quiser me contratar, estou aqui :)”