Fim de semana passado minha EOS3 ganhou sua primeira cicatriz de batalha, caindo com vontade numa pedra de cachoeira na Serra do Cipó. Se as fotos sobreviveram eu não sei – ainda tenho 15 poses no filme e não estou pra desperdiçar um artigo tão caro pela minha ansiedade.

Foi assim que comecei o texto de um rascunho que pretendia publicar sobre meu (oficialmente) primeiro ensaio de nus, realizado em Janeiro. O carnaval passou e eu finalmente revelei as fotos, então publicarei o restante do post:

Fomos eu, minha amiga e modelo preferida Gabbytz, minha filha e meu amigo Ely nos aventurar numa trilha em busca de uma cachoeira menos populada na serra. E não é que encontramos? Subindo uma longa e íngreme trilha, passando por pedras, areia, mato e pedregulhos, alcançamos uma piscina de águas límpidas e sardinhas selvagens, com uma pequena cachoeira. Ficamos ali por um tempo, mas uma vez cansados de ser mordiscados pelos peixes, procuramos nos aventurar na trilha e, não muito longe, encontramos um pequeno paraíso. Uma piscina ainda mais límpida ainda e sem peixes!
Mas esse não é um site de eco aventuras nem eu sou fotógrafa de paisagens. Tanto que não tirei uma foto sequer da cachoeira, da trilha, etc. Eu fui pra lá relaxar, e me aventurar… só que eu e Gabbytz há anos estamos no ‘bora marcar’ de uma sessão de nus. Achamos, por fim, a oportunidade certa e o momento mais gostoso e espontâneo pra fazer isso.

E assim nasceram as fotos que seguem, que estou publicando com exclusividade no site :) (Algumas outras publiquei no Flickr)


Detalhes técnicos:
– Câmera: Canon EOS3
– Lente: Sigma 50mm 1.4 EX DG HSM
– Polarizador: Greika
– FIlme: Agfa Vista 200

The metallic reflections

Light here was dimmed to a minimum and I had to crank the ISO up, but the reflections on metal were just too perfect to be missed.

the metallic reflections - by Helen Luna

Não consigo sair desse site

Muito conhecido, o site Humans of New York é meu mais recente vício. Vendido pelo seu criador como um “censo fotógráfico de Nova Iorque”, o site apresenta quase diariamente imagens de anônimos nas ruas da cidade que nunca dorme, acompanhadas de uma espécie de mini-entrevista com os fotografados.

sample HONY

“I think society’s emphasis on family forces us into relationships that are otherwise unhealthy. Sure, a long time ago, when people lived miles from civilization, family was all you had. There was a very practical purpose to sticking together. But now I have six million people in my backyard. Why should I be wasting time with someone I don’t like just because they have the same last name as me?” – source: Humans of New York

O autor Brandon Stanton admite que não é o melhor fotógrafo que há (tecnicamente falando), e talvez não saiba fazer todas as suas imagens falarem por si próprias, mas com certeza é um entrevistador hábil. O que me encanta é ver como numa multidão até as pessoas dadas por mais comuns tem a sua beleza ou tristeza única e às vezes os diferentes são os que tem problemas mais normais. Ter a capacidade de amostrar a enorme diversidade humana jornalisticamente é admirável, para mim um trabalho invejável, por isso não deixem de conferir!

 

Colorização digital de fotos

Sou apaixonada por fotos em preto e branco. Como a maioria dos seres humanos adoro cores e, ao ver uma imagem, minha atenção é automaticamente desviada para a cor. Por isso mesmo gosto de descansar o olhar no preto e branco: ver além da cor é algo que nós, que nascemos e vivemos num mundo colorido, temos que aprender com a prática.

Mas o fato é que as pessoas não estão interessadas. Num mundo de imagens fáceis e rápidas, poucos se importam com a maneira com que olham. E disso, surge uma certa aversão a fotos históricas, e aqueles que poderiam ser tão enriquecidos por essas imagens as deixam de lado porque são aparentemente “sem graça”.

Japanese Archers BW2Colorized
Ainda bem que a colorização de fotos vem se popularizando, possibilitando que tanto artistas quanto amadores obtenham resultados cada vez mais realistas e precisos. Não que eu prefira as fotos digitalmente alteradas, mas vejo nelas uma oportunidade para aqueles que se sentiam entendiados por fotos preto e branco olharem com outros olhos para momentos de nossa história que nunca deveriam ter ignorado.

Nessa onda, recentemente, o site demilked postou duas séries de fotos históricas colorizadas, as quais me sinto na obrigação de repostar:

Link 1
Link 2

Ah, fantásticos resultados não acham?… Um dia eu aprendo a colorizar!

O fim dos hiatos

-Não se leve tão a sério, as pessoas odeiam isso.
-Se leve a sério ou vão te achar só mais um hobbyista.
-Tenha um site, nem que seja um gratuito.
-Você vai queimar seu nome ao ter um desses sites gratuitos. O mercado é ingrato, você vai concorrer com o playboyzinho que foi aos EUA e voltou com uma câmera na mala e agora acha que é profissional, botou anuncio no Groupon e deu um bom pontapé na carreira fotografando books por R$100, enquanto você estará se arrastando pra começar de forma “honesta”. Quer um conselho? Faça uns casamentos, dinheiro rápido. Imite aquele fotógrafo que faz autopromoção descarada dia e noite no Facebook postando TODAS as fotos que faz. Seus anos atrás de uma câmera não contam nada.
-Não, não vá na deles. Isole-se de tudo isso. Exclua seu Facebook. Nada de ter Google+, twitter, Instagram? Tsc ,tsc, você está se contaminando e qualquer pessoa que esteja procurando um artista não vai te levar a sério se você congrega com amadores. Sempre há lugar para a arte.
-Nunca se declare um artista.
-Não pode ter lista de preços no seu site, isso vai te fazer parecer “barato” demais.
-Coloque os preços no seu site, as pessoas não vão se dar ao trabalho de perguntar!! Seus anos atrás de uma câmera não contam nada…

E é assim todo dia, há quinze anos, a mesma ladainha de pessoas entendidas (porque todo mundo acha que entende de fotografia) – com perdão da expressão – cagando regras sobre como devo conduzir minha carreira. E elas são sempre contraditórias. Opinião sobre carreira em fotografia deveria ser igual a gosto: deveria não se discutir, ponto. Cheguei a essa conclusão depois de tanto tempo andando feito barata alucinada de RAID atrás do conselho alheio sobre meu próximo passo. Eu tinha só 17 anos então; tenho 32 agora e cansei de levar vassouradas.

Em 1999, quando comecei, as câmeras digitais estavam começando a ficar populares e ninguém queria saber de um fotógrafo “de filme”, porque nosso preço ficou exorbitantemente alto em comparação. Sem dinheiro pra comprar um equipamento digital decente (sei que muito “profissa” da época  fotografava com Sony Cybershot na cara dura, mas eu nunca fui cara-de-pau) e sem ter como bancar filme e revelação por amor à arte, eu fiz um longo hiato. O primeiro de muitos. E desde então sempre que fiquei sem saber qual rumo tomar na minha carreira, foi o que fiz: um hiato.

Há anos porém sonho em voltar ao filme. Ao contrário da galera hipster, que faz isso pra parecer vintage, pra ter o feel de uma época que nunca viveu mas admira, que tatua a Rolleiflex no pulso e compra filme no ebay, eu queria voltar às minhas origens e recuperar o tempo perdido de evolução em termos de sensibilidade do olhar. Não abandonando o digital, que tem sua hora e lugar (afinal não investi os últimos 7 anos em equipamento e estudo à toa) mas sim pra marcar um breakthrough, o momento em que me rebelo contra as opiniões que me baratinaram ao longo desses 15 anos, e decido ser fotógrafa à minha maneira – decidi buscar esse sonho. Tenho certeza que eu não fui a única aspirante a fotógrafa que ficou confusa num meio onde todos querem rasgar sua identidade e te dar a deles. Acho que confundem liberdade de interpretação da arte com liberdade de projeção psicológica?

Olha, e se eu quiser misturar comercial com artístico? E se eu quiser botar preços pra sessões de retrato no site e no mesmo quiser listar exposições de minhas fotografias naquela galeria chique? E se eu quiser oferecer filme, digital, polaroid e ainda continuar no Instagram? Eu não estou nem aí pro purismo ou pro não-purismo, pras regras inventadas da cabeça de cada um e vendidas como leis da arte – o que quero é deixar a minha visão de mundo por aí, marcada em gravura de luz, como parecer válido para mim. Vai sempre ter quem diga que estou imitando sei lá quem ou que estou fazendo aquilo outro errado. Nunca me defendi, nem vou me defender do que pensam de mim. Minhas fotos porém devem falar, chame-as de arte ou não, goste delas ou não.

Então não haverá mais hiatos. Porque não haverá mais regras, e quem poderá dizer quando eu deveria estar ou não fotografando senão eu e minha vontade e criatividade? Não deveria ter sido sempre assim?

preview do projeto arte das ruas fora do centro

Tenho uma bela EOS 3 que ganhei de presente de aniversário da pessoa mais especial do mundo com 3 rolos de filme pra recomçar <3 Minha fiel cinquentinha básica quebrou num episódio triste, e providencialmente fui agraciada com o financiamento de uma 50mm superior pela mesma pessoa especial <3 Minha Polaroid está em revisão de taxas na receita federal. Meu projeto nas ruas de BH está engatinhando… Tudo nos eixos. O que falta, sinceramente? TEMPO! Só que aí são outros quinhentos, e assunto pra outro post ;)

Finding Vivian Maier

Vivian Maier (01/02/1926 ~ 21/04/2009) foi uma fotógrafa de rua amadora, nascida em Nova Iorque e criada na França. Após retornar aos Estados Unidos, ela trabalhou como babá por cerca de 40 anos em Chicago, Illinois. Durante esses anos, ela tirou cerca de 100.000 fotografias, principalmente de pessoas e paisagens urbanas em Chicago, apesar que ela viajou e fotografou também mundo afora.

Suas fotografias permaneceram desconhecidas e na sua maior parte não reveladas até que foram descobertas por um historiador e colecionador local, Jonh Maloof, em 2007. Após a morte de Vivian, seu trabalho passou a ser aclamado pela crítica. Suas fotografias foram exibidas nos EUA, Inglatera, Alemanha, Dinamarca e Noruega e apareceram em noticiários e revistas de todo o mundo. Um livro com sua fotografia entitulado Vivian Maier: Street Photographer foi lançado em 2011. Um filme sobre a vida e a obra da artista está em produção. Confira o trailer abaixo:

 

Vivian é uma das minhas fotógrafas preferidas. Sua arte demonstra sensibilidade, um olhar único e profundo sobre o mundo e as pessoas. Para mim, uma celebração da vida ‘lá fora’. O que contrasta diretamente com a existência recatada e misteriosa que ela levava. Será que ela fotografava para vivenciar o mundo da qual ela parecia se isolar? Posso me identificar em muitos níveis… De toda maneira, o resultado de sua obra é inegavelmente comovente. Acredito que ela é a fotógrafa que todos nós gostaríamos de ser; seus negativos, aqueles que gostaríamos que alguém encontrasse em nossas caixas e revelasse ao mundo; a emoção contida em seus retratos, aquela que sonhamos em capturar.

Fontes:   Wikipedia – Site oficial

Noite Branca no Parque Municipal (BH / MG)

Fotos tiradas apenas para recreação (fotógrafa bêbada e curtindo com os amigos) ^^

Floating lights (crappy pic, I know)

Trees of glass

Plastic ghosts dance

Lined up and half dead

Cuisine stands

Pizza Carai…………….va

Slider- aquariums

Closing concert

Band dismissed, day breaks

Estilo

A cada dia me agrado mais quando o resultado das fotos sai um tanto quanto SURREAL. Será que estou encontrando um estilo? No dia 01/09 fotografei a Peça A Pequena Sereia no Palácio das Artes, BH/MG. Dentre várias fotos tecnicamente boas, algumas saíram diferentes, e gostei mais delas em particular – o inusitado é sempre melhor. Amostras de ambos casos:

 

Eu, fotógrafa de shows

Mesmo depois de tantos anos, ainda estou me descobrindo como fotógrafa de shows. Quanto mais clico, percebo que desenvolvi uma particularidade, aonde a intenção final não é registrar estaticamente os acontecimentos, mas sim criar arte com a luz, a intensidade, a energia e os assuntos do palco. Saio satisfeita quando produzo resultados que são – maioria das pessoas diria – esquisitos; mas para mim eles são altamente artísticos. Como isso aqui:

Mais do que reproduzir a atmosfera (por isso não uso flash, por isso às vezes fotografo do meio da platéia) busco colocar identidade no que faço. Isso pode irritar alguns, ser feio para outros, mas reservo-me à esperança de que alguns vão gostar. Ainda não tenho a liberdade para deixar totalmente de fazer as fotos clássicas  (elas são esperadas pelos contratantes, cada um quer ver “como ficou na foto”) mas um dia quero ter deles a confiança para criar. Gravar a música com luz.

Estou apenas engatinhando e me falta muita, mas muita prática para que possa dizer que tenho uma marca registrada. O que eu não quero é ser escrava. Da luz, da exposição perfeita, do enquadramento perfeito, do foco aguçado, das correções no Lightroom. E ao mesmo tempo que estou postando isso aqui como um disclaimer quando minhas fotos forem incompreendidas… bem, ser incompreendido não é O sentido?