Eu, fotógrafa de shows

Mesmo depois de tantos anos, ainda estou me descobrindo como fotógrafa de shows. Quanto mais clico, percebo que desenvolvi uma particularidade, aonde a intenção final não é registrar estaticamente os acontecimentos, mas sim criar arte com a luz, a intensidade, a energia e os assuntos do palco. Saio satisfeita quando produzo resultados que são – maioria das pessoas diria – esquisitos; mas para mim eles são altamente artísticos. Como isso aqui:

Mais do que reproduzir a atmosfera (por isso não uso flash, por isso às vezes fotografo do meio da platéia) busco colocar identidade no que faço. Isso pode irritar alguns, ser feio para outros, mas reservo-me à esperança de que alguns vão gostar. Ainda não tenho a liberdade para deixar totalmente de fazer as fotos clássicas  (elas são esperadas pelos contratantes, cada um quer ver “como ficou na foto”) mas um dia quero ter deles a confiança para criar. Gravar a música com luz.

Estou apenas engatinhando e me falta muita, mas muita prática para que possa dizer que tenho uma marca registrada. O que eu não quero é ser escrava. Da luz, da exposição perfeita, do enquadramento perfeito, do foco aguçado, das correções no Lightroom. E ao mesmo tempo que estou postando isso aqui como um disclaimer quando minhas fotos forem incompreendidas… bem, ser incompreendido não é O sentido?